Conheça Laís e Larissa Telles, as jovens escritoras euclidenses, e um pouco mais sobre o amor

A ideia principal do livro, segundo as autoras, é desconstruir a visão que as pessoas têm do amor utópico, aquele sentimento maravilhoso, perfeito, os romances de Skakespeare. “A maioria das frustrações que as pessoas têm do amor é porque elas idealizam demais”.
A ideia principal do livro, segundo as autoras, é desconstruir a visão que as pessoas têm do amor utópico. Foto: Josevaldo Campos/RF

Não bastou ser irmãs e gêmeas. Larissa Telles e Laís Telles têm muito mais em comum do que esse texto é capaz de revelar. Com apenas 22 anos, gostam de café, de escrever, de Skakespeare, de Clarice Lispector, de poesia, e dividem o sonho da medicina. Mas a razão mesmo de Retratos e Fatos ter se encontrado com elas é porque as duas são escritoras, autoras do segundo livro “O amor é uma utopia: dos sabores aos dissabores”, publicação que reúne poesias e textos sobre o amor, esse sentimento ainda tão indecifrável.

A ideia principal do livro, segundo as autoras, é desconstruir a visão que as pessoas têm do amor utópico, aquele sentimento maravilhoso, perfeito, os romances de Skakespeare. “A gente está mostrando a realidade. Que tem dor, que nem tudo são flores. Só quando você passa por cima de tudo isso é que, de fato, existe o amor. A ideia do livro é passear dos sabores aos dissabores, para que o leitor seja levado a refletir nessa desconstrução sobre o que ele entende que seja o amor”, explica Larissa, que assina a maior parte dos textos na coletânea.

Irmãs gêmeas, euclidenses, aspirantes a medicina e parcerias de escrita. E pra completar, as duas gostam de café. Foto: Josevaldo Campos/RF

Os textos são gostosos de ler. Uma poesia que não se preocupa com rimas, desprendida de qualquer formato pré-estabelecido. A preocupação é com a originalidade e naturalidade na transcrição das sensações, das experiências vividas, dos sabores e dissabores tão intrínsecos ao amor.

A maior parte das histórias contidas no livro é fundamentada em experiências próprias, mas elas também trouxeram enredos amorosos de outras pessoas, principalmente dissabores. “São vivências, visões de experiências que a gente tirou das dores de outras pessoas e trouxe para o livro. Todo mundo, querendo ou não, já viveu algo parecido com o que está aí”, lembra Laís.

Maior parte das histórias é baseada em experiências vividas pelas próprias autoras. Foto: Josevaldo Campos/RF

E, realmente, todos já vivemos. Quem ainda não provou desse doce veneno, depois da morte essa é a maior certeza que temos. É tão inevitável que se transformou na maior inspiração de Larissa, principalmente a dor advinda do amor. “Se eu não escrever, eu não consigo lidar com o que eu sinto. Escrever para mim é aliviante. É uma terapia”.

Mas, apesar de tudo, elas acreditam no amor. Não o amor utópico, platônico, mas um amor pés no chão, mais maduro. “A maioria das frustrações que as pessoas têm do amor é porque elas idealizam demais. As pessoas não são perfeitas, então para que procurar a perfeição no amor? ”, questiona Larissa.

“Escrever para mim é aliviante. É uma terapia”, revela Larissa. Foto: Josevaldo Campos

Aliada da irmã até nos pensamentos, Laís alerta, contudo, que não cabe a elas, e nem muito menos é a proposta do livro, rotular o que as pessoas pensam sobre o amor. “Não cabe à gente julgar o sentimento do outro. É algo que não se explica”.

Larissa escreve desde a adolescência. Sua primeira experiência não fugiu à regra: foi um diário. “Era uma forma de eu lidar com algumas questões internas”. Mas, na contramão da regra e do manual do diário de uma adolescente, ela compartilhava tudo, e as pessoas gostavam do que viam e liam. Em 2017, ela transformou o incentivo dos amigos em um perfil no Instagram, o @pensalary, mas nenhuma pretensão, naquele momento, para além disso. “O livro era uma coisa que era muito longe para mim. Impossível”.

Do diário para um perfil no Instagram, do Instagram para o 1º livro, do 1º livro para a 2ª publicação. Foto: Josevaldo Campos/RF

Mas como tudo parece impossível somente até que seja feito, como disse Mandela, a pandemia mudou o curso da história das meninas. Nasceu o primeiro livro, “A vida é um café amargo: deliciosamente amargo”, de Larissa Telles e ilustrações de Laís Telles. A publicação trata sobre temas diversos e já vendeu 195 exemplares dos 200 impressos.

Em “O amor é uma utopia”, Laís também assina as ilustrações, incluindo a capa. “Não é que eu sou desenhista, eu simplesmente me esforcei para fazer desenhos legais para o que a Larissa estava precisando”. Ela é boa ilustradora e também muito modesta. Na adolescência, ela também tinha um diário, mas, ao contrário da irmã, o conteúdo era privado. Depois, começou a tomar gosto por poesias, contar histórias. “Quando a Lari começou a escrever, eu me incentivei também a escrever algumas coisas”.

Laís assina as ilustrações e capas dos dois livros. Na 2ª publicação, ela também assinou textos. Foto: Josevaldo Campos/RF

As jovens-gêmeas-escritoras-euclidenses têm colecionado ótimos relatos de pessoas que já foram impactadas positivamente após a leitura dos livros. “Ontem mesmo eu recebi um feedback de um menino dizendo bem assim: ‘Lari, eu comecei meu primeiro dia de terapia hoje e os seus textos estão me ajudando muito. Muito obrigado por isso’. E eu fiquei: meu Deus, que honra. Isso para mim é realização enquanto escritora, não é ter o livro. É o que ele representa para as pessoas”.

Para o futuro, Larissa quer escrever um romance e já começou a rascunhar na cabeça as primeiras ideias. Ela lamenta o fato de não ver muito incentivo à leitura e escrita em Euclides da Cunha. “E é isso que eu acho triste, porque eu vejo muita gente talentosa, com potencial, mas não vai para a frente porque não tem incentivo das pessoas, principalmente na escola, que é a base primordial”, avalia. O livro “O amor é uma utopia: dos sabores aos dissabores” foi selecionado e premiado em Sergipe, onde Larissa e Laís estudam, pela Fundação de Cultura e Arte Aperipê (Funcap), por meio da Lei Aldir Blanc.

Para Larissa e Laís, mais importante do que ter livros publicados é o resultado que eles proporcionam às pessoas. Foto: Josevaldo Campos/RF

”Para encerrar, nós perguntamos a elas qual era a sensação de ter nas mãos um livro próprio publicado. Para Larissa, “surreal. Tem horas que eu pego e fico ‘meu Deus, eu tenho um livro’”. Laís disse que “é um sonho materializado. Para mim não é nem tanto o livro em si, mas o que isso causa nas pessoas”.

Encerramos e fomos continuar o café. E contar histórias, claro.

“A maioria das frustrações que as pessoas têm do amor é porque elas idealizam demais”, defende Larissa. Foto: Josevaldo Campos/RF

“O importante é que só entende do amor se souberes amar”. Larissa Telles

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