Em 2018, a jovem euclidense Melissa Bonfim, ou Mel do Cumbe, como é conhecida artisticamente, começou a produzir biojoias para se enfeitar. Ela usava como matéria-prima a vagem de pau-de-rato, árvore nativa da caatinga. Dentro da universidade, as colegas gostaram do que viram e começaram a fazer encomendas de peças, principalmente brincos. E nessa “brincadeira”, Mel enxergou uma oportunidade de empreender e transformou em trabalho, a Arte da Fulô. “Isso ajudou no meu sustento por muito tempo”, conta.

O tempo passou e nessa caminhada ela conheceu mais duas euclidenses que trabalham com artesanato: Jack da Terra (idealizadora da Semente Artes – @sementeart) e Ivanessia Menezes (idealizadora da Iva dos Sonhos – @ivadossonhos). A parceria se fortaleceu e hoje elas integram o Cumbe Arte, o mais novo Coletivo de Cultura de Euclides da Cunha. “Hoje somos um grupo, mas a tendência é expandir esses laços e esse apoio”.

Neste fim de semana, sábado e domingo, as artistas apresentarão o projeto e farão uma exposição de diversas peças produzidas, muitas delas confeccionadas durante uma oficina com alunos da rede pública de ensino, que acontece nesta sexta-feira (09/dezembro) durante todo o dia, em Euclides da Cunha. “O objetivo do projeto, financiado pela Lei Aldir Blanc, é propiciar um ambiente de troca e interação da população euclidense com o artesanato, dando ênfase à produção de biojoias e o manejo do barro, propiciando uma imersão nesse universo através do contato desde o preparo da semente, vagem, barro à finalização de uma peça biodegradável e bio agradável”, explica Melissa, idealizadora e proponente da iniciativa.

A exposição das artesãs integra a programação oficial da Mostra de Arte Aldir Blanc, que acontecerá na Casa da Cultura de Euclides da Cunha nos dias 10 e 11 de dezembro. No primeiro dia, sábado, das 10h às 18h, haverá oficinas de confecção de biojoias e manejo de barro e exposição das peças confeccionadas pelos alunos durante as oficinas. No domingo, o horário é das 14h às 18h. Quem deseja conhecer mais sobre o projeto “Confecção de biojoias e manejo de barro”, as meninas farão uma apresentação no sábado às 19h.

Mais um tiquinho de informação sobre a oficina – Um dos objetivos principais do projeto, segundo as organizadoras, é propiciar um contato com a arte manual e o resgate do fundamental contato com a natureza, pautado nas informações partilhadas pelas artesãs e facilitadoras das oficinas sobre as matérias-primas e orgânicas utilizadas na confecção das peças, sendo elas sementes, vagens, barro e cipós presentes na fauna da região.

Dentro da sala de aula, a ideia também é mostrar os caminhos possíveis com o empreendedorismo e estimular a conexão dos alunos com a natureza. “Nós queremos promover um fomento para a visão de que o artesanato, as artes plásticas e as artes manuais são estratégias válidas para o empreender na atualidade e reforçar a relevância da reconexão dos adolescentes e jovens com a natureza e sua medicina”, acrescenta Mel.
Por que biojoias? – Porque se trata de peças pensadas e produzidas a partir de elementos da natureza, biodegradáveis (ou agradáveis, como Mel do Cumbe costuma chamar). “A matéria-prima é retirada da natureza pensando sobre seus impactos e sobre toda a medicina, história e contexto que existe por trás”.
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