“Eu quero fazer diferente do que está aí”, revela Givanilson após dar nota 5 à câmara de vereadores de Euclides da Cunha

Givanilson abriu o jogo sobre o que pensa a respeito da câmara de Euclides da Cunha, falou sobre sua linha de atuação e relação com as comunidades, relação com o prefeito, eleições 2024 e deixou claro que pretende atuar de forma diferente.

Depois de muitos dias de suspensão e ansiedade, Givanilson Andrade, o jovem de 32 anos do povoado Roça de Baixo, toma posse na noite desta segunda-feira (03/abril) como vereador de Euclides da Cunha. Nas eleições de 2020, ele conquistou 549 votos, sendo o primeiro suplente do Partido dos Trabalhadores (PT). Ele ocupará a vaga deixada pelo Cacique Flávio (PT), que passou a comandar o Distrito Sanitário Especial de Saúde Indígena na Bahia, órgão vinculado ao Ministério da Saúde.

Em uma entrevista exclusiva ao jornalista Josevaldo Campos (Retratos e Fatos), Givanilson abriu o jogo sobre o que pensa a respeito da câmara de Euclides da Cunha, falou sobre sua linha de atuação e relação com as comunidades, relação com o prefeito, eleições 2024 e deixou claro que pretende atuar de forma diferente.

Enquanto conversava com a gente, ele precisou interromper a entrevista algumas vezes para atender ligações de prefeitos, vereadores e lideranças da região, que fizeram questão de parabenizá-lo e desejar boa sorte. Uma das ligações veio da Secretaria Estadual de Relações Institucionais, que além dos parabéns, também oficializou um convite ao vereador para acompanhar a agenda do governador pelo estado.

Para ele, assumir uma cadeira na Casa significa uma oportunidade para novos projetos e uma chance de apresentar um trabalho diferente. Givanilson deu nota 5 à câmara. “Não vejo muita coisa”.  Confira abaixo a entrevista na íntegra.

RF – O que você achou da sua votação?

Eu me senti surpreso, na verdade, porque para o sistema em que eu estava disputando, a concorrência era muito grande, e ao mesmo tempo eu me senti surpreso e agradecido pela votação.

RF – Seu trabalho com as comunidades, de ajudar as pessoas vem desde quando, exatamente?

Vem desde 2015, por aí. Eu militei muito na questão de associação, me envolvo bastante e até hoje estou envolvido no esporte, como também dando assistência às pessoas. Além disso, eu sempre busquei em Salvador algumas coisas para as comunidades.

RF – Como é hoje para você assumir uma vaga de vereador na Câmara de Euclides da Cunha?

É abrir as portas para novos projetos, projetos esses que eu não quero dizer aqui que vou ser melhor do que os que já estão aí porque, na verdade, eu estaria sendo egoísta, mas quero trazer algo diferente, quero buscar algo diferente. Porque o vereador, além de ter a missão de fiscalizar e cobrar da gestão melhorias para sua cidade, eu acho que ele também tem que sair da cidade para ir até o Governo do Estado, ao Governo Federal para tentar trazer indicações ou fazer indicações, projetos que sejam de benefício para todos.

RF – Como será o mandato do vereador Givanilson Andrade?

Eu quero conduzir, como eu falei anteriormente, com o diálogo com o partido [Partido dos Trabalhadores – PT], um diálogo no qual a gente venha buscar projetos para trazer aqui para a cidade, inclusive para eu fazer a indicação aqui na câmara. Em termos de gestão, vou me manter na gestão do Luciano [prefeito], alinhada com o Governo do Estado, que seu sei que está dando certo, a gente tem várias obras do Governo do Estado aqui, e meu intuito, como eu já falei, é estar sempre alinhando com ele [prefeito], buscando as coisas para a cidade.

RF – Nessa relação de apoio entre você legislativo com o executivo, será também um mandato de fiscalização? A população pode esperar isso de você?

Pode, sim! Vai ter o momento de fiscalizar, sim, porque, na verdade, onde tem o erro tem que ter o acerto. Então, aquilo que eu ver de errado, eu vou dialogar com o prefeito para buscar a solução. Eu sei que a câmara funciona nessa questão: a Oposição vai bater no errado, eu vou lá verificar, vou fiscalizar realmente se está errado e vou estar sempre buscando, solicitando do prefeito que seja melhorado o que estiver errado. A fiscalização vai existir porque o vereador tem esse papel aqui na câmara.

RF – Se você pudesse dar uma nota de 0 a 10 à câmara hoje, ainda sem a sua entrada, que nota você daria e por que?

A nota que eu dou à câmara hoje, pra não ser injusto, eu vou dar metade, 5. Tem que ser 5 porque se você for analisar, a gente vem com uma câmara de vereadores, assim, bem complicada. Eu mesmo acompanho bastante os próprios vereadores como também as sessões, e eu não vejo muita atuação deles em termos de projetos, de indicações, não vejo muita coisa, entendeu? É complicado você dar uma nota além de 5.

RF – O que é que falta?

Falta eu acho que, ainda, aquela questão, Josevaldo, a gente estar sentado naquela cadeira visando indicar. O vereador, como ele tem o papel de fiscalizar, eu creio que eu como vereador não vou fazer isso, eu vou ver que tem alguma coisa errada e vou ter com indicar ao gestor municipal, que é o Luciano, para poder melhorar. Ao mesmo tempo, também, que a gente vai ter que sentar para se fazer mais projetos. Tem tantas comissões, mas não tem projeto. Eu vejo que tem comissão, mas projeto é zero.

RF – E o que a população de Euclides da Cunha pode esperar de você enquanto vereador?

Ela pode esperar de mim algo diferente. Esse diferencial eu vou tentar trazer junto com meu grupo político. Indicações, você pode ter certeza que nessa casa aqui vai ter, eu vou estar sempre fazendo; projeto, eu já estou sentando com um pessoal pra gente ver alguma coisa pro município. Também quero viajar para fora para ver algumas coisas que a gente possa trazer de novidade aqui para a câmara, para o gestor avaliar se é viável. Eu quero fazer um diferente do que está aí, e esse diferente eu acho que é em cima da fiscalização da gestão pública com a injeção de projetos e indicações na câmara para se tentar melhorar.

RF – Quando você sentar naquela cadeira ali hoje destinada a Givanilson Andrade, como vai estar sua cabeça, o seu coração? Tenso? Feliz? Realizado? Angustiado? Surpreso? Com medo? Receoso? Ou é uma mistura disso tudo?

Rapaz, eu vou me encaixar, eu vou resumir em orgulhoso e feliz. Aí no plenário mais tarde eu vou estar orgulhoso por entender que meu pai e minha mãe sempre me orientou a fazer o certo, vou estar orgulhoso pela educação que eles me deram, de sempre estar me orientando, dizendo “olha, não vá por aqui que está errado, vá por aqui”, vou estar orgulhoso por ter vindo de uma comunidade que tem hoje 20 famílias, que é a Roça de Baixo, vou estar orgulhoso por representar eles e levar o nome da comunidade aqui hoje até o plenário; e vou estar orgulhoso também, feliz por morar na Roça de Baixo, mas ser adotado por Roça de Cima, por Poção de Cima, Poções de Baixo, Lagoa do Costa, Craúno, Pedra Branca, Lagoa da Franca, Rio Seco, por Bringé, Lagoa da Gata, Queimada do Raso, Humildade, Formiga, Zumbi de Baixo, Zumbi de Cima, Carnaíba, Pinhões, Lagoa Andada, Lagoa Funda, General, Roça de Dentro… São comunidades que sempre que eu vou, eles me atendem bem. Eu vou estar no plenário aí hoje daquele jeito, tranquilo, já sabendo o que existe aqui.

RF – De verdade, você se sente preparado para assumir essa cadeira com todos os ônus e bônus que virão?

Me sinto. Eu vim de uma família humilde, não tenho aquele ego de dizer que vou ser melhor do que quem está aí, não vou ter aquele ego de dizer que vou ser melhor do que ninguém. Quero fazer minha parte, quero contribuir o máximo com o que eu puder e contribuindo dessa forma, eu acho que não tem erro. Vou estar dando o meu melhor.

RF – O Givanilson vereador vai ser diferente do Givanilson jovem, liderança?

O Givanilson Andrade pessoa vai estar sempre presente nas comunidades, vai estar sempre buscando, dialogando, vai estar sempre batendo o baba, vai estar tomando uma cervejinha, que é de lei, e vai estar também participando dos eventos, das festas; e o Givanilson vereador, ele vai estar aqui para poder dialogar com o povo também, em cima do que o povo espera.

RF – O que você visualiza para o futuro? Tem pretensões futuras na política?

Em relação eu sentar nessa cadeira hoje, minha vontade é dar continuidade, fazer por onde as pessoas enxerguem a importância de ter um vereador da zona rural, que está vindo de família humilde, que está querendo algo diferente, porque meu objetivo é esse, fazer algo diferente. Diferente não do que está aí, porque tem pessoas boas também, mas o diferente da minha pessoa, da pessoa que está vindo sentar aí hoje. É um diferente no qual eu quero deixar um legado nestes dias que eu ficar por aqui, porque o mandato ainda permanece sendo do Cacique, [vereador licenciado], mas quando for 2024 as pessoas entendam, “não, ele é que tem que estar lá, é nele que eu vou votar, é nele que a gente vai confiar e vai deixar mais quatro anos”. Eu quero deixar essa visão para o povo que isso é o que vai acontecer e vou fazer por onde, no máximo, estar dialogando em cima dessa questão para a gente chegar lá firme e forte em 2024.

RF – Já teve aquelas noites que você sonhou ou dia que acordou você sendo prefeito de Euclides da Cunha?

Rapaz, a gente não deixa nunca de pensar nem de sonhar. Quem está na política, é como eu estou falando, a gente trabalha, hoje estou vereador, mas amanhã a oportunidade batendo na porta, “você quer ser prefeito? ”, eu não vou dizer que não. Pode ser um sonho para mim, como pode também ser um anseio da sociedade euclidense ter uma pessoa diferente, um jovem que tenha pensamentos diferentes.

RF – Nessa câmara que vale nota 5, qual será o diferencial do Givanilson?

Eu vou trabalhar em cima de uma coisa que as pessoas vêm me pedindo bastante, que é a gente estar ouvindo a sociedade. A sociedade hoje clama por algo diferente na câmara. Vou citar um exemplo: eu vou para Pombal amanhã. Lá em Pombal eu vou almoçar, vou tomar café, eu posso até jantar em Pombal, mas eu não vou chegar aqui na segunda-feira na câmara para dizer que eu jantei, almocei e tomei café em Pombal. Eu quero chegar aqui na câmara para dizer que eu estive com o governador em exercício, que é o Geraldinho, que eu estive com os companheiros do PT e de partido para tentar levar um recado de Euclides da Cunha até eles que aqui está precisando de algo diferente, para dizer que está vindo algo diferente para a cidade.

RF – Como você está vendo hoje 2024? Você acha que Luciano vai ter dificuldade de faze um sucessor, vai ser uma eleição tranquila?  Ele já tem um nome bom hoje?

A questão de 2024 ela parte de um único fator: todo gestor quando vai para a reeleição, eu acho que ele tem o intuito de colocar alguém bem próximo para poder dar continuidade ao trabalho. Luciano hoje não tem alguém da casa, do arco familiar, mas vai ter que ter alguém da confiança dele para dar continuidade ao trabalho, e esse trabalho eu acho que vai partir de um amigo dele. Se ele tem um amigo fiel que está ali ao lado dele, é alguém dali que vai sair para ser o candidato.

RF – E o que você acha disso?

Eu também não discordo. Se ele está onde está hoje foi por mérito, coragem e batalha dele, então não é justo também colocar na mão de qualquer um que venha a desagradar, porque hoje pra quem entendeu o que é política, Luciano é uma das referências na política da Bahia, em termos de articulação.

RF – Ele tem muitos amigos dentro desse círculo pessoal dele?

Tem, tem uns três aí [risos] que eu creio que vai sair na fumaça branca.

RF – Exemplo?

O exemplo a gente deixa para 2024, aí complica, né?

RF – Retratos e Fatos agradece o seu tempo e a sua contribuição para dar essa entrevista para a gente.

Eu que agradeço por você ter me convidado para essa entrevista, ao mesmo tempo digo que o meu mandato vai estar à disposição da imprensa de Euclides da Cunha. Sem a mídia hoje, a gente não vai para lugar nenhum.

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